O Semeador  (Histórias e textos) escrito em quinta 21 agosto 2008 14:35

O SEMEADOR

A professora Angélica não era considerada uma pessoa equilibrada, em razão de suas esquisitices. Os seus alunos da Escola de 1º grau, onde ensinava desde há muitos anos, tinham-na na conta de uma pessoa estranha. Embora fosse excelente mestra, muitas vezes era surpreendida, quando nas suas viagens de ida-e-volta do lar à escola, com gestos e movimentos de mãos que não condiziam com a sua posição de educadora. Dona Angélica residia numa cidadezinha e ensinava numa vila próxima. Os dois lugares se comunicavam por meio da estrada-de-ferro. Diariamente ela tomava o trem, sentando-se ao lado da janela, quando ia à aula e, quase sempre retornava para casa sentada no mesmo lugar. As crianças faziam zombaria, criticavam-na, mas ela não sabia. Mesmo alguns pais irresponsáveis, que se davam à maledicência, comentavam com certa falta de caridade: - "É uma boa educadora, - diziam com malícia, para logo completarem, - porém completamente maluca." E punham-se a rir, impiedosamente. Os anos se passavam e a situação continuava a mesma. Várias gerações receberam da bondosa e dedicada professora ensinamentos valiosos e abençoados. Ela era uma pessoa de boas maneiras, calma e gentil, mas não muito bem compreendida. Envelhecia no exercício do dever de preparar as crianças para um futuro melhor, com espírito de abnegação e devotamento quase maternal. Certo dia em que viajava para a sua querida Escola, com diversas crianças na mesma classe do comboio, movimentando, de quando em quando, suas mãos, enquanto as crianças na parte de trás sorriam maliciosamente, Alberto, seu aluno de dez anos, que cursava a 4ª série, porque amava sua mestra, aproximou-se dela, sentou-se ao seu lado e, com ternura, perguntou-lhe: - Professora, por que você insiste em continuar com essas atitudes loucas? - O que deseja dizer, meu filho? - interrogou, surpresa a bondosa mestra. - Ora, professora - continuou ele, - você fica dando adeuses para os animais, nos pastos, abanando as mãos... Isto não é loucura? A mestra amiga compreendeu e sorriu. Sinceramente emocionada, chamou a atenção do aluno, dizendo: - Veja esta bolsa. Nota o que há aí dentro? - E apontou para a intimidade do objeto de couro forrado. - Sim - respondeu Alberto. - Sabe o que é? - Insistiu. - Não, senhora. - É pólen de flores, são sementes miúdas... Observe bem. Há quase vinte anos eu passo por este caminho, indo e vindo da escola. A estrada antes era feia, árida, desagradável. Eu tive a idéia de a embelezar, semeando flores. Desse modo, de quando em quando, reúno sementes de belas e delicadas flores do campo e as atiro pela janela... Sei que cairão em terra amiga e acarinhadas pela primavera se transformarão em plantas a produzirem flores, dando cor à paisagem, criando alegria. Como sempre passo por aqui eu gostarei de que pelos meus caminhos haja sempre beleza a fim de agradar a todos que também transitarão por estes caminhos. Calou-se por um pouco e depois disse: - Alberto, meu filho. Na vida, todos somos semeadores. Há uns que semeiam flores e descobrem belezas, perfumes, frutos e outros que semeiam espinhos e se ferem nas pontas agudas. Ninguém vive sem semear, seja o bem, seja o mal. Felizes são aqueles que por onde passam deixam sementes de amor, de bondade, de flores... Nunca te esqueças disso, entendeste? - Sim, professora. - Respondeu o aluno com emoção. - Eu também hei de semear flores... Muito obrigado!

Amélia Rodrigues Psicografia de Divaldo Pereira Franco.

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A fé de uma criança  (Histórias e textos) escrito em quinta 21 agosto 2008 14:35

A FÉ DE UMA CRIANAÇA

Foi na África Central. No abrigo improvisado pelas missionárias, uma mulher morreu ao dar à luz um bebê prematuro.

Sua filhinha de dois anos começou a chorar e não havia o que a consolasse.

O bebê foi colocado em uma caixa e envolto em panos de algodão. Bem depressa alguém foi alimentar o fogo para aquecer uma chaleira de água para a bolsa de água quente.

Mas não havia bolsa para água quente.

Ele foi enrolado o melhor possível e as enfermeiras começaram a se revezar, para o manter o mais aquecido possível.

Na tarde seguinte, a missionária foi orar com as crianças do orfanato. Contou a respeito do bebê, da necessidade de uma bolsa de água quente. Também falou da irmãzinha que não parava de chorar, porque a mãe morrera.

Então, uma menina de 10 anos se ergueu e orou em voz alta:

- “Por favor, Deus, manda-nos uma bolsa de água quente. Amanhã talvez já seja tarde, Deus, porque o bebê pode não agüentar. Por isso, manda a bolsa ainda hoje.

E... Deus, já que estás cuidando disso mesmo, por favor, manda junto uma boneca para a maninha dele, para que saiba que também a amas de verdade.”

A missionária nem conseguiu dizer Assim seja. Poderia Deus fazer aquilo?

Como chegar ali, na linha do Equador, uma bolsa de água quente e uma boneca? Só se ela encomendasse em seu país e levaria meses para chegar.

Ainda naquela tarde, um carro estacionou no portão da casa e deixou um pacote de 11kg na varanda.

As crianças do orfanato rodearam o pacote e acompanharam a abertura.

Havia roupas coloridas e cintilantes, ataduras, caixinhas de passas de uva e farinha.

Mas... bem no fundo, uma bolsa de água quente, novinha em folha!

A garota que pedira a bolsa, na prece, gritou:

“Se Deus mandou a bolsa, mandou também a boneca.”

E lá estava ela. Linda e maravilhosamente vestida.

Olhando para a missionária, Rute perguntou:

- “Posso ir junto levar a boneca para aquela menina, para que ela saiba que Deus a ama muito?”

O pacote fora enviado há 5 meses, por iniciativa de uma ex-professora da missionária, que resolveu remeter uma bolsa de água quente, sem mesmo saber porquê.

Uma das suas auxiliares, ao fechar o pacote, decidiu mandar uma boneca.

Tudo isso, cinco meses antes, em resposta a uma oração de uma menina de 10 anos que acreditou, fielmente, que Deus atenderia a sua oração, ainda naquela tarde.

Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita com base em texto traduzido pelo Rev. Oscar Lehenbauer e adaptado por Áureo Pinto.

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A carroça  (Histórias e textos) escrito em quinta 21 agosto 2008 14:35

A CARROÇA

 

Uma das grandes preocupações de nosso pai, quando éramos pequenos, consistia em fazer-nos compreender o quanto a cortesia é importante na vida.

Por várias vezes percebi o quanto lhe desagradava o hábito que têm certas pessoas de interromper a conversa quando alguém estava falando. Eu, especialmente, incidia muitas vezes nesse erro. Embora visivelmente aborrecido, ele, entretanto, nunca ralhou comigo por causa disso, o que me surpreendia bastante.

Certa manhã, bem cedo, ele me convidou para ir ao bosque a fim de ouvir o cantar dos pássaros. Acedi com grande alegria e lá fomos nós, umedecendo nossos calçados com o orvalho da relva.

Ele se deteve em uma clareira e, depois de um pequeno silêncio, me perguntou:

- Você está ouvindo alguma coisa além do canto dos pássaros?

Apurei o ouvido alguns segundos e respondi:

- Estou ouvindo o barulho de uma carroça que deve estar descendo pela estrada.

- Isso mesmo... disse ele. É uma carroça vazia...

De onde estávamos não era possível ver a estrada e eu perguntei admirado:

- Como pode o senhor saber que está vazia?

- Ora, é muito fácil saber que é uma carroça vazia. Sabe por que?

- Não! respondi intrigado.

Meu pai pôs-me a mão no ombro e olhou bem no fundo dos meus olhos, explicando:

- Por causa do barulho que faz. Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz.

Não disse mais nada, porém deu-me muito em que pensar.

Tornei-me adulto e, ainda hoje, quando vejo uma pessoa tagarela e importuna, interrompendo intempestivamente a conversa de todo o mundo, ou quando eu mesmo, por distração, vejo-me prestes a fazer o mesmo, imediatamente tenho a impressão de estar ouvindo a voz de meu pai soando na clareira do bosque e me ensinando:

- Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz!

                                Da Obra: "E, Para O Resto Da Vida..."

                                                            De: Wallace Leal V. Rodrigues

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O jovem e a estrela do mar  (Histórias e textos) escrito em quinta 21 agosto 2008 14:35

O JOVEM E A ESTRELA-DO-MAR

Era uma vez, um escritor, que morava numa praia tranqüila, junto a uma colônia de pescadores. Todas as manhãs ele passeava a beira-mar, para se inspirar, e de tarde ficava em casa, escrevendo.

Um dia, caminhando na praia, ele viu um vulto que parecia dançar.

Quando chegou perto, era um jovem pegando na areia as estrelas-do-mar, uma por uma, e jogando novamente de volta ao oceano.

-Por que você está fazendo isto? - perguntou o escritor.

-Você não vê? Disse o jovem. - A maré está baixa e o sol está brilhando. Elas vão secar no sol e morrer, se ficarem aqui na areia.

Meu jovem, existem milhares de quilômetros de praia por esse mundo afora, e centenas de milhares de estrelas do mar, espalhadas pelas praias. Que diferença faz? Você joga umas poucas de volta ao oceano. A maioria vai perecer de qualquer forma.

O jovem pegou mais uma estrela na areia, jogou de volta ao oceano, olhou para o escritor e disse:

- Pra essa, eu fiz diferença.

Naquela noite o escritor não conseguiu dormir nem sequer conseguiu escrever. De manhãzinha foi para a praia, reuniu-se ao jovem e juntos começaram a jogar estrelas-do-mar de volta ao oceano."

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A UTILIDADE DOS ANIMAIS  (Histórias e textos) escrito em quinta 21 agosto 2008 14:35

Oi Gente,

Veja que história interessante, sabemos que os animais são importantíssimos, mas não com essas finalidades dessa história...

 

 

A UTILIDADE DOS ANIMAIS

Terceiro dia de aula. A professora é um amor. Na sala, estampas coloridas mostram animais de todos os feitios. É preciso querer bem a eles, diz a professora, com um sorriso que envolve toda a fauna, protegendo-a. Eles têm direito à vida, como nós, e além disso são muito úteis. Quem não sabe que o cachorro é o maior amigo da gente? Cachorro faz muita falta. Mas não é só ele não. A galinha, o peixe, a vaca...

Todos ajudam.

- Aquele cabeludo ali, professora, também ajuda?

- Aquele? É o iaque, um boi da Ásia Central. Aquele serve de montaria e de burro de carga. Do pêlo se fazem perucas bacaninhas. E a carne, dizem que é gostosa.

- Mas se serve de montaria, como é que a gente vai comer ele?

- Bem, primeiro serve para uma coisa, depois para outra. Vamos adiante. Este é o texugo. Se vocês quiserem pintar a parede do quarto, escolham pincel de texugo. Parece que é ótimo.

- Ele faz pincel, professora?

- Quem, o texugo? Não, só fornece o pêlo. Para pincel de barba também, que o Arturzinho vai usar quando crescer. Arturzinho objetou que pretende usar barbeador elétrico. Além do mais, não gostaria de pelar o texugo, uma vez que devemos gostar dele, mas a professora já explicava a utilidade do canguru:

- Bolsas, malas, maletas, tudo isso o couro do canguru dá pra gente. Não falando na carne. Canguru é utilíssimo.

- Vivo, fessora? - A vicunha, que vocês estão vendo aí, produz... produz é maneira de dizer, ela fornece, ou por outra, com o pêlo dela nós preparamos ponchos, mantas, cobertores, etc.

- Depois a gente come a vicunha, né, fessora?

- Daniel, não é preciso comer todos os animais. Basta retirar a lã da vicunha, que torna a crescer...

- E a gente torna a cortar? Ela não tem sossego, tadinha.

- Vejam agora como a zebra é camarada. Trabalha no circo, e seu couro listrado serve para forro de cadeira, de almofada e para tapete. Também se aproveita a carne, sabem?

- A carne também é listrada? - pergunta que desencadeia riso geral.

- Não riam da Betty, ela é uma garota que quer saber direito as coisas. Querida, eu nunca vi carne de zebra no açougue, mas posso garantir que não é listrada. Se fosse, não deixaria de ser comestível por causa disto. Ah, o pingüim? Este vocês já conhecem da praia do Leblon, onde costuma aparecer, trazido pela correnteza. Pensam que só serve para brincar? Estão enganados. Vocês devem respeitar o bichinho. O excremento - não sabem o que é? O cocô do pingüim é um adubo maravilhoso: guano, rico em nitrato. O óleo feito com a gordura do pingüim...

- A senhora disse que a gente deve respeitar. - Claro. Mas o óleo é bom.

- Do javali,  professora, duvido que a gente lucre alguma coisa.

- Pois lucra. O pêlo dá escovas de ótima qualidade.

- E o castor? - Pois quando voltar a moda do chapéu para homens, o castor vai prestar muito serviço. Aliás, já presta,com a pele usada para agasalhos. É o que se pode chamar um bom exemplo.

- Eu, hem?

- Dos chifres do rinoceronte, Belá, você pode encomendar um vaso raro para o living de sua casa. Do couro da girafa, Luís Gabriel pode tirar um escudo de verdade, deixando os pêlos da cauda para Teresa fazer um bracelete genial. A tartaruga-marinha, meu Deus, é de uma utilidade que vocês não calculam. Comem-se os ovos e toma-se a sopa: uma de-lí-cia. O casco serve para fabricar pentes, cigarreiras, tanta coisa... O biguá é engraçado.

- Engraçado, como? - Apanha peixe pra gente.

- Apanha e entrega, professora?

- Não é bem assim. Você bota um anel no pescoço dele, e o biguá pega o peixe mas não pode engolir. Então você tira o peixe da goela do biguá.

- Bobo que ele é.

- Não. É útil. Ai de nós se não fossem os animais que nos ajudam de todas as maneiras. Por isso que eu digo: devemos amar os animais, e não maltratá-los de jeito nenhum. Entendeu, Ricardo?

- Entendi. A gente deve amar, respeitar, pelar e comer os animais, e aproveitar bem o pêlo, o couro e os ossos.

 

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