Acolher ou Evangelizar: O Que Vem Primeiro?  (Histórias e textos) escrito em quarta 09 julho 2008 10:30

Blog de aartedeevangelizar :Evangelizar é amar..., Acolher ou Evangelizar: O Que Vem Primeiro?

 

Ao analisar a proposta do "ide e evangelizai" não podemos nos esquecer "do vinde a mim as criancinhas" e do "bem-aventurados os aflitos por que serão consolados" e nem o " todas as vezes que fizerdes isto a um destes pequeninos é a mim que o fareis", todas colunas de sustentação do " AMAI-VOS".

Na busca de elevar o homem à perfeição, despertando nele o germe da perfectibilidade, há reflexões importantes e profundas que podem ser deduzidas da análise do Evangelho de Jesus, cujo programa traçado nas elevadas esferas espirituais é o de instalar o reino de Deus dentro de nossos corações.

Todo Centro Espírita, Escola – Hospital – Espaço de convivência e fraternidade e Oficina de trabalho no bem - tem como um dos objetivos centrais a evangelização de adultos, crianças e jovens. Nos Centros Espíritas bem organizados há sempre grupos de abnegados seareiros envolvidos na tarefa divina de evangelizar, de iluminar caminhos e oportunizar as reflexões sobre a origem do ser, do seu destino e das causas das suas aflições.

Há trabalhos belíssimos com resultados visíveis no despertamento do ser. Há experiências marcantes desenvolvidas por instituições que conseguiram montar um modelo de atenção ao ser que procura a casa espírita para encontrar consolo, alívio e esclarecimento para suas angústias.

Mas qual a receita? Na verdade, nas discussões que temos acompanhado entre os trabalhadores do setor, há grande indagação sobre como fazer para manter o "evangelizando" perseverante no programa de evangelização da instituição. As desistências e deserções são grandes e não se chegou ainda aos fatores determinantes desta evasão.

Nas receitas de sucesso da evangelização, o que se percebe é que o trabalhador desse segmento está consciente de que o processo evangelização não começa na entrada dos alunos no ambiente do encontro e nem termina quando eles saem. Já entenderam que evangelização é muito mais do que uma "aula de evangelho", se é que se pode chamar assim.

O atendimento na Casa Espírita, seja em qual departamento ocorra, deve buscar o ser bio-psico-socio-espiritual. Com este foco, cabe uma pergunta ou várias. Por exemplo: como evangelizar uma criança com fome ? Ou um adulto analfabeto? O que fazer com uma criança que se apresente irrequieta, agressiva e mal cuidada? Ou ainda, como evangelizar uma criança aflita por- que os pais estão se separando?

Há que se pensar aqui, que o foco é bio-psico-sócio-espiritual, e se não atendidas as necessidades primárias do indivíduo, a "aula de evangelização" não produzirá qualquer efeito, de vez que, sua necessidade momentânea na hierarquia natural não é esta. Além destas carências, facilmente perceptíveis, descobrir-se-ão outras, particularmente as de origem espiritual, caracterizadas, muitas vezes, por processos obsessivos, cuja intervenção se faz também necessária, através da ação conjunta e interativa de outros departamentos da Casa Espírita.

A ação interativa dentre os diversos departamentos da instituição será capaz de solucionar muitos problemas na sala de aula de evangelização. Diz Emmanuel que "a quem tem fome, pão e evangelização e a quem não tem fome, evangelização". Desta forma, fica claro que, se a Casa Espírita tem a proposta da atenção integral, é preciso buscar primeiro atender as necessidades primárias para, em seguida, suprir as outras necessidades.

Não se deve ler nestas linhas a proposta de fuga do Centro Espírita dos seus objetivos, mas deve-se ler que¸ utilizando os recursos disponíveis ( do centro e da comunidade) podemos atender integralmente o ser que nos procura e assim criar as condições necessárias para que possa estar tranqüilo na sala de evangelização, em condições de assimilar a lição esclarecedora. Uma criança com fome ou obsedada ou ainda em conflito familiar é um ser em "estado de necessidade ou um caído da nossa estrada de Jericó". Pretender atender a ela apenas com palavras esclarecedoras e consoladoras é, no mínimo, ineficaz.

Imaginemos que essa criança fosse o seu filho: que atendimento seria esperado? Ou mesmo você, evangelizador ou dirigente espírita – que atendimento esperaria?

Nesta linha de raciocínio, evangelizar é mais do que estar por uma hora na sala de aula por semana. Assim entendemos que:

• Evangelizar é observar a realidade de cada ser e sua complexidade. Evangelizar, significa até mais do que isto! É estar disponível para o outro, expressando este sentimento em qualquer circunstância em que o outro se encontre.

• Evangelizar é ir ao encontro das ansiedades e angustias daquele que se disponibiliza a receber a mensagem de Jesus. É preciso oferecer a mensagem de Jesus com os condimentos do amor, tal como o Mestre no-lo ofereceu.

• Evangelizar é utilizar dos recursos da Casa Espírita para que a ação de atenção seja integral. Identificar as necessidades materiais, espirituais, psíquicas e intelectuais é ação que deve ser complementada com a integração dos diversos departamentos da casa espírita. Sendo necessário, a instituição deverá buscar em outros centros ou na comunidade os recursos necessários à melhor execução da atividade.

• Evangelizar é acompanhar o ser em evolução. Como um filho espiritual que agora se torna irmão, o acolhimento significa acompanhar o evoluir do ser, motivando-o para que se mantenha ligado à tarefa de evangelização. Assim procedendo, naturalmente o manteremos vinculado à instituição.

• Evangelizar é confirmar o pleno atendimento, tornando-se responsável pelo outro. Promover o ser é a grande meta. Oferecer-lhe pequenas tarefas e ir paulatinamente oportunizando o trabalho de acordo com o seu progresso e nível de responsabilidade é compromisso espírita.

Assim posto, infere-se que a tarefa de evangelizar confunde-se com a proposta do centro espírita no campo macro. Mas não podemos perder de vista que cada ser é um universo micro dentro do conjunto de outros seres que compõem o grupo. E assim deve ser considerado.

Se o objetivo da evangelização é levar a pessoa a professar uma fé viva, raciocionada, não basta a aceitação intelectual do Evangelho.

A ação evangelizadora e trans- formadora compromete-se com a lição/apelo e exercício da caridade, em conjunto. O ser integral precisa ler a realidade humana nos campos físico, social, intelectual e espiritual e encontrar respostas para suas indagações, cuja base não pode ser apenas cultural. Ao examinar os exemplos de cuidado e amor de que foi alvo, deve compreender que é também adotando um comportamento cristão que deve encarar o seu dia-a-dia.

A evangelização deve sensibilizar pela valorização da justiça, da paz social, da ética e da fraternidade e portanto, deve ser mais do que uma "aula de evangelho" onde a prática deve coincidir com o que se fala.

Assim, evangelizar e acolher são cordas do mesmo instrumento de amor. Sem uma ou outra corda, o instrumento desafina. Um não vem antes do outro... ambas atitudes devem estar juntas.

Sem o exercício da caridade, a evangelização morre. "O que vos ordeno é que vos ameis uns aos outros". (Jo,15:17)

O autor é Cel PM e Presidente do Núcleo Irmão Maurício da CME, em Vitória, ES.

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1 comentário(s)

  • Camila mailto

    Sáb 18 Abr 2009 21:35

    O artigo vem de encontro com a realidade do meu Centro, e foi muito esclarecedor ! Obrigada, parabéns pelo blog !!!


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